terça-feira, 19 de junho de 2007


Do baú de inéditos de Cora Coralina

Coração é terra que ninguém vê

Quis ser um dia, jardineira de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos e nos espinhos me feri.
Quis ser um dia, jardineira de um coração.

Cavei, plantei.
Na terra ingrata nada criei.
Semeador da Parábola...

Lancei a boa semente a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu na terra dura da ingratidão
Coração é terra que ninguém vê - diz o ditado.

Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho - teu coração.
Bati na porta de um coração.

Bati. Bati.
Nada escutei.
Casa vazia.
Porta fechada, foi que encontrei...

2 comentários:

flor rara disse...

é Fabi vc está muito rmântica heim!Bjos.

Fabiana Dias disse...

QUE NADA...